Quarta-feira, 8 de Março de 2006
Estórias sob o céu estrelado 19

A Cotovia contou a novidade ao carvão, mas o Rei tinha imposto uma condição e revelou também como o carvão podia reghressar ao sol. «Eu logo vi que não ia ser tão fácil!», lamentou-se o carvão, «Como é que eu posso voltar, quem me leva até lá?». A Cotovia deu uma volta no ar, para divertir o carvão, mas este estava ansioso demais. «Pára de voar, eu bem sei que as Cotovias voam e até anunciam o dia, pois levantam-se pela manhã e são os primeiros pássaros a cantar a luz do sol, mas agora diz-me como é que eu posso voltar para o sol!». A Cotovia parou de rodopiar, interrompendo a segunda volta por sobre o carvão: «É isso mesmo», começou por confessar, «Toda a gente sabe que as Cotovias voam e são as aves que a luz das manhãs cativa no seu canto, e por isso só há duas maneiras de regressares ao sol: ou descobres a criança que te trouxe e ela tem que construir uma funda grande capaz de te atirar de encontro ao sol ou eu tenho que te levar até lá voando!». «Isso é tudo impossível», tornou a lamentar-se o carvão. «A criança que me trouxe não sei onde mora, nem em que escola anda, só sei que fala tanto como tu e anda sempre a fazer perguntas sobre o mundo, gosta de ler e tem mais dificuldades com a matemática, que até diz que a história do mundo só se pode contar com estórias inventadas e não com números nem tabuadas, mas aprende tudo e fala português, contudo, também fala outra língua que ninguém entende». A Cotovia deu mais uma volta por sobre o carvão: «Eu posso voar e ir à procura dessa criança tão especial, não há muitas escolas por aqui perto». «Mas eu não sei se a criança ainda anda na escola, como tinha dificuldade em aprender contas e em decorar a tabuada, e além disso falava uma língua que ninguém entendia e que misturava com o português, deve ter-se sentido envergonhada. E se a criança ficou foi de férias viajar pelo espaço? Eu até tenho vigiado a Lua todas as noites, mas não vejo lá ninguém, deve ter ido para mais longe», concluiu o carvão ficando triste e arrefecendo um pouco. Apenas uma luzinha vermelha fazia crer que o carvão brilhava ainda. «Se não se encontrar essa criança eu posso levar-te ao sol», apressou-se a dizer a Cotovia. «Mas eu posso queimar-te», respondeu o carvão, «E, afinal, mem me disseste ainda que condição te pôs o Rei?». «Pois pois, tinha-me esquecido», recomeçou a Cotovia parando de rodopiar, «O que eu disse são as maneiras de voltares para o sol, mas ainda não disse qual é a condição principal que o Rei mandou dizer-te». «Estás a complicar tudo, já não entendo nada», rebateu o carvão ficando tão chateado que voltou a acender-se por inteiro e as faícas soltavam-se do seu corpo. «Desculpa», disse por fim, «Vou arrefecer um pouco e aguardar que me contes qual é a condição que o Rei te pôs». A Cotovia tinha-se refugiado na torre da igreja, mas regressou planando suavemente até poisar no muro de pedra, bem ao lado do carvão.


(n)

publicado por maria anjos castanheira calado às 19:17
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 7 de Março de 2006
Estórias sob o céu estrelado 18

«Eu sou feliz aquecendo os friorentos no Inverno»reflectiu o carvão. «Mas no Verão gostaria de viajar até ao centro do sol! Às vezes sinto-me sozinho e gostaria de voltar a casa» A Cotovia olhou para ele e subitamente emudeceu. «A tua casa é o sol? Que eu saiba só de foguetão ou nave se pode ir até ao sol! Como vieste parar aqui?» « No inicio do mundo fui roubado por uma criança e desde sempre tenho aquecido e iluminado a Terra! Porém , fico melancólico quando penso no brilho da terra natal»
A Cotovia pensou seriamente nas palavras do carvão e de repente teve uma ideia.« Já sei! Vamos pedir ajuda à Terra da Magia! Este Verão irás regressar a casa!» E aquecida como estava voou em direcção à terra anunciada. Pediu uma audiência ao rei e expôs-lhe o caso. O rei concordou em ajudar mal o Verão chegasse.

publicado por maria anjos castanheira calado às 18:33
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 6 de Março de 2006
Estórias sob o céu estrelado 17

Embora se sentisse bem confortável a Cotovia não parava de cismar como o carvão não se gastava no inverno nem no Verão. «Também no Verão, com tanto calor, deves ser um perigo e até podes desfazer-te em pó, como suportas o calor no Verão, principalmente em Agosto a meio do dia?». A Cotovia gostava de falar, dificilmente conseguia guardar para si um pensamento, não é de admirar que uma simples pergunta se torne tão complicada. «Em Agosto? Ao meio do dia? E no Verão sou um perigo com tanta terra seca? Fazes uma série de perguntas num instante», ripostou o carvão e, para aumentar o mistério do seu segredo lançou algumas faíscas de encontro aos céus. «Aproxima-se a noite», disse a Cotovia, «As tuas faíscas parecem cometas no céu, mas não tenho medo». «O meu segredo...», interrompeu o carvão suspendendo a frase de modo a criar um mistério maior. «O meu segredo é ser sempre útil», respondeu por fim. «Ora ora», resmungou a Cotovia, «E não te cansas de seres sempre útil, estares para aí sempre a agradar aos outros, dás calor quando faz frio e quando não és preciso guardas o calor para o Inverno, assim estás sempre a pensar nos outros e...», a Cotovia não parava de falar nem de levantar questões. «Não tens um sonho que seja só teu e que guardes para ti? O que gostavas de ser se não fosses um carvão eterno sempre sempre a ser útil para os outros?», perguntou a Cotovia tão depressa que nem deu tempo do carvão a interromper.



(n)
publicado por maria anjos castanheira calado às 21:24
link do post | comentar | favorito
Domingo, 5 de Março de 2006
Estórias sob o céu estrelado 16

(nova estória, escrita a duas mãos, sugerida pela minorca)


Era uma vez um carvão mágico que ardia na lareira da aldeia e que era eterno. Durante o Inverno aquecia os velhos e as crianças e no Verão guardava secretamente o fogo.
Era uma vez, também, uma cotovia que fazia o ninho próximo da lareira eterna e que aguardava ansiosa pela Primevera. Na aldeia tudo era mágico e o carvão e a ave podiam conversar.
Um dia de Inverno, a cotovia esvoaçou para junto do carvão procurando aquecer-se. Mas antes pediu, educadamente, licença.«Bom dia senhor carvão. Posso aquecer-me? Hoje a geada paralizou-me os movimentos e estou em dificuldades» O carvão brilhou mais vivo e sorriu « O prazer é todo meu! Aqueça-se D. Cotovia»

publicado por maria anjos castanheira calado às 15:29
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sábado, 4 de Março de 2006
O som da clareira 30

Gosto de constelações, de estrelas, de vazio e poeira cósmica. Todos os dias aspiro um pouco de Universo e fico mais rica e mais aconchegada.


Um dia um amigo inscreveu-se no portal Sapo com o nick Stella-Polaris. Depois o nick desapareceu e eu perpetuei-o coma Stela_Polaris. Uma cumplicidade entre amigos, um sorriso, uma provocação. Hoje pertenço a uma constelação, pequena, nas fortemente imbricada. Projecto-me em novos espaços a partir da minha base como uma árvore se projecta no espaço a partir de raízes sólidas. Sempre pertença do Universo.

publicado por maria anjos castanheira calado às 17:03
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
.anónima
.pesquisar
 
.Maio 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.frescos

. Revisitação

. Do Olhar

. Regressão temporal

. Conto de natal

. desencontros

. ...

. ...

. contos a duas mãos 5

. Ano Novo

. Conto de Natal

.em decomposição

. Maio 2016

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Julho 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

.tags

. todas as tags

.alguns links
blogs SAPO
.subscrever feeds