Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005
Olhares 168

Vírus, bactérias, micróbios, bicharada. Uma simples constipação coloca-nos no limite, próximos da exaustão, prontos a sacrificar o prazer de coisas outras. Há quem diga que é um problema metafísico. Há quem diga que é uma reacção de recusa, de repulsa, de alergia. Mas, eu diria que é simplesmente físico. Uma questão de corpo estranho infiltrado. Há que detectá-lo e abatê-lo.

publicado por maria anjos castanheira calado às 19:22
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2005
Olhares 167

Ás vezes a mudança traz surpresas agradáveis. Acontece mergulharmos a cabeça numa qualquer latrina e habituarmo-nos ao cheiro até à anestesia. Depois, um dia, levantamos a cabeça e sentimos o ar puro invadir-nos o corpo. Acordamos e perplexos, olhando para trás, não compreendemos. Como foi possível ignorar o ar pestilento por tanto tempo?


À minha esquerda o sol entra sorrateiro pela janela. Sol de Outono. Sol de mudança.

publicado por maria anjos castanheira calado às 16:21
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Terça-feira, 27 de Setembro de 2005
Estórias 5
Depois da trovoada

Depois da trovoada vem a bonança, dizem sem grande convicção ou
apenas por dizer – pois também é legitimamente verdade que depois da
bonança vem a trovoada. Então percorro o lugar onde outrora houve um
rio, gente e trigo. Ali houve também vento. E árvores. Lembro,
então, os céus. (É verdade que vivemos enquanto sonhamos).

Numa tarde qualquer (mas acontece que já foi há muito tempo atrás,
quando me suicidei) alguém me confessava atónito: «mas... não há
morgues no céu?».

Não, não há, nem vi a carcaça dos deuses antigos.

Nem um ninho esmagado entre as nuvens ou um pássaro morto.

Não é verdade o que o poeta assegurava com ingenuidade e
inocência: «os pássaros quando morrem caiem no céu».

Demasiado mentem, os poetas!

A.r.




publicado por maria anjos castanheira calado às 18:34
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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2005
Olhares 166

Ela faz caixinhas de papel e pelo meio vai escrevendo frases sobre o Outono.
Dizia que as andorinhas tinham regressado a países mais quentes.
Mas eu, que gosto de ver, este ano não olhei as andorinhas.
Talvez agora só existam na minha memória e a pouco e pouco vou-me remetendo ao silêncio, ao sonho, ao regresso.

publicado por maria anjos castanheira calado às 22:26
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Domingo, 25 de Setembro de 2005
Olhares 165

Era uma casa de xisto. Não tinha nem luz, nem água nem saneamento. As paredes estavam forradas a papel pardo, colado com uma mistura de farinha e bosta de vaca ou então era o barro caiado que dava brilho ao interior. A cozinha tinha uma chapa de ferro onde se acendiam grandes fogueiras para aquecer ou escurecer o fumeiro. Quando se matava o porco, o animal acabava dependurado na única sala da casa, fazendo companhia aos naperons de renda e linho. Havia uma espécie de prateleira onde se acumulavam os vidros e metais: uma herança da casa rica da tia velha. Os quartos não tinham janelas e os insectos passeavam-se noite dentro pelo meio dos cobertores.


Nas lojas junto á rua habitava o burro e habitavam as cabras. O estrume que faziam era meticulosamente recuperado para adubar as terras. De Inverno aqueciam com o seu calor a casa por cima. Eram bons companheiros.

publicado por maria anjos castanheira calado às 16:19
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