Terça-feira, 30 de Novembro de 2004
Olhares 7

Rosas primeiras acordam,
E o seu perfume é tímido
Como sorriso ligeiro,
E roça, de fugida, o dia
Como asas de andorinhas;


E, onde quer que tu toques,
Tudo é ainda angústia.


Cada reflexo é medroso,
Não há som que seja manso,
E a noite é nova demais,
E a beleza é pudor.


Rainer Maria Rilke, Poemas


 

publicado por maria anjos castanheira calado às 12:22
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2004
"A natureza da Natureza" 4
«A essência do homem não envolve a existência necessária,
isto é, da ordem da Natureza, tanto pode resultar
que este ou aquele homem exista
como que não exista.»

(Espinosa, Ét. II, Axioma I)
publicado por maria anjos castanheira calado às 06:41
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Domingo, 28 de Novembro de 2004
"a natureza da Natureza" 3

No século XIX os teólogos da natureza discutiam a questão da benevolência divina, dentro do plano criador divino. Mas como harmonizar esta benevolência com a predação sobretudo na forma de parasitismo?



Os Ichneumonoidea são um grupo de vespas cujas larvas são parasitas. No caso dos endoparasitas, a fêmea adulta perfura o hospedeiro com o seu ovipositor e introduz os seus ovos no hospedeiro ( os hospedeiros podem ser lagartas -  larvas de borboletas - ou afídeos ou aranhas). Quando os ovos eclodem as larvas vão-se alimentando do corpo do hospedeiro até que acabam por lhes provocar a morte.



Talvez o dilema só se coloque em termos humanos quando se utilizam vocábulos como dor/destruição, vitima/vencedor para descrever uma natureza que se formos a ver bem é amoral. Porque se antropomorfiza a descrição da Natureza se o mundo é independente das construções humanas que sobre ele fazemos?


( lendo S.J. Gould)

publicado por maria anjos castanheira calado às 12:49
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2004
Olhar 6

O que chamamos começo é muitas vezes o fim
E fazer um fim é fazer um começo.
O fim é de onde nós partimos. E toda a locução
E frase que está certa (onde toda a palavra está em casa
E toma o seu lugar em apoio das outras,
A palavra nem hesitante nem aparatosa,
Uma relação fácil do velho com o novo,
A palavra comum exacta sem vulgaridade,
A palavra precisa mas não pedante,
A inteira companhia a dançar a compasso)
Toda a locução e frase é um fim e um começo,
Todo o poema um epitáfio. E qualquer acto
É um passo para o cepo, para o fogo, pela garganta do mar
abaixo,
Ou pedra ilegível: e é daí que partimos.


(…)


Eliot, Quatro Quartetos

publicado por maria anjos castanheira calado às 18:19
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Olhar 5

 Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara


Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha


Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca

 
 Na voz de Zeca Afonso, Canto Moço


A rotação da terra é uma coisa extraordinária, não é?

publicado por maria anjos castanheira calado às 06:33
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