Sábado, 4 de Abril de 2009
Caminhando 8

Escrever é uma forma de respirar. Quem tem uma mente imaginativa tem tendência a construir histórias e efabulações sobre a realidade. Desenhar em pensamento o passado, sentir o presente e inventar o futuro. Chega depois um momento em que a vida neural precisa ser racionalizada, compreendida para que dela nos possamos apropriar. É um exercício curioso: construímos mentalmente, expiramos sobre uma folha de papel e depois apropriamo-nos de nós próprios, das nossas ideias e construções mentais. Com isso criamos a ilusão de auto-domínio e de domínio sobre a realidade. Ou, simplesmente, criamos o nosso mundo, relativizamos outras interpretações e definimos a nossa identidade. Este movimento umbiguista talvez seja a melhor forma de lutar contra a relatividade das opiniões que nos chegam de todo o lado e tendem a formatar-nos o pensamento de forma acrítica. Talvez os crivos mentais que precisamos para viver em sociedade não sejam mais que este movimento respiratório: inspiração, expiração, inspiração,… talvez viver com consciência de nós seja afinal um movimento tão simples como este.

publicado por maria anjos castanheira calado às 20:00
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4 comentários:
De José Lopes a 5 de Abril de 2009 às 18:06
Microcosmo e macrocosmo.
Um texto que dá que pensar, Maria, o que escrevemos circunscreve um espaço que tem o nosso umbigo como centro, mas sempre lidamos com esse espaço como se fosse uma representação significativa do todo, quando o todo prossegue impoluto e ignorando a nossa vontade e fantasias
De maria anjos castanheira calado a 6 de Abril de 2009 às 10:10
Acho que é possivel comunicar a um nivel mais profundo através do que escrevemos: qualquer que seja a forma usada. Há sempre muito de nós que transparece, da forma como nos apropriamos do mundo.
De Anónimo a 7 de Abril de 2009 às 14:19
Grande parte das vezes, essa comunicação parece estabelecer-se porque estamos receptivos a ela, uma parcela do nosso umbiguito identifica-se com a mensagem criado pelo outro, como se tivessemos entrado no mesmo cumprimento de onda - descobrimos os sinais comuns e reconhecemo-la como "nossa".
Mas há, decerto, outras alturas em que uma mensagem, que à partida consideraríamos exterior a nós, estranha, insólita, cria um nicho na nossa sensibilidade onde se abriga e frutifica. Não é uma imagem especular mas uma imagem autónoma e transformadora. São essas mensagens que reverenciamos como um livro, um poema, um autor decisivo nas nossas vidas
De maria anjos castanheira calado a 9 de Abril de 2009 às 15:05
sim, suponho que toda a gente tenha algum autor, algum livro, alguma coisa que o faça evoluir e pensar. Eu tenho seguramente.

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